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5 Sinais de Alerta: Como Detectar Alzheimer e Outras Demências

Sou Ester Borges Nunes, médica geriatra, e hoje vamos conversar sobre um tema que gera muitas dúvidas e, por vezes, preocupações: os sinais de Alzheimer e outras demências. É natural que, com o passar dos anos, algumas mudanças aconteçam em nossa capacidade cognitiva, como ter um pouco mais de lentidão no aprendizado. No entanto, é fundamental saber diferenciar o que é um processo natural do envelhecimento e o que pode ser um dos primeiros sinais de demência que merecem atenção médica. 

Neste artigo, vou compartilhar com vocês 5 sinais importantes de Alzheimer e outras demências que podem indicar que seu pai, sua mãe ou outro familiar podem estar desenvolvendo uma dessas condições. Fiquem atentos, pois o último sinal é o mais abrangente para a nossa análise. Além disso, vamos esclarecer de uma vez por todas a diferença entre demência e Alzheimer

Vamos lá? 

1. Mudanças Bruscas no Humor: Um dos Primeiros Sinais de Demência

Quando falamos em saúde mental, é comum pensarmos em condições como depressão ou ansiedade, que podem acompanhar uma pessoa ao longo da vida e têm tratamento. No entanto, um sinal de demência que merece nossa atenção especial na terceira idade são as mudanças imotivadas no humor que surgem após os 65 anos de idade. Imagine aquela pessoa que sempre foi a alegria da casa, com um espírito leve e otimista, e de repente, sem motivo aparente, começa a apresentar uma tristeza profunda, irritabilidade ou apatia. Essa alteração drástica no padrão de humor habitual, especialmente a partir dos 65 anos, pode ser um indicativo de que algo mais sério está acontecendo. Muitas vezes, inclusive, os primeiros sintomas de demência se manifestam através dessas alterações emocionais. Não se trata de uma simples “fase” ou de um “mau humor passageiro”. É uma mudança significativa que merece ser investigada por um profissional. Ficar atento a esses detalhes e buscar uma avaliação médica é um passo fundamental para entender o que está por trás dessas transformações e, se necessário, iniciar o acompanhamento adequado para detectar Alzheimer ou outras demências precocemente.

2. Deixar de Fazer Coisas que Antes Eram Comuns: Um Sinal de Alerta para Alzheimer

Muitas vezes, os primeiros sinais de Alzheimer ou de um quadro demencial, como esquecimentos ou desorientação, podem passar despercebidos pela família. Muitas vezes o primeiro sinal de alerta do Alzheimer ou outras demências é quando a pessoa começa a deixar de fazer atividades que antes realizava com facilidade

Pense naquela senhora que sempre foi uma cozinheira de mão cheia, preparando pratos deliciosos para toda a família. De repente, ela começa a trocar ingredientes, como sal por açúcar, ou simplesmente para de fazer suas receitas favoritas, alegando que não está conseguindo ou arranjando desculpas. Ou aquele senhor que sempre cuidou das finanças da casa, pagava as contas e ia ao mercado sozinho, e agora se perde no caminho, esquece o que precisa comprar ou tem dificuldade em lidar com o dinheiro. 

É importante ressaltar que a idade, por si só, não é uma limitação para nada. Usar a idade como desculpa para a inatividade não se sustenta. Se uma pessoa idosa está

deixando de fazer algo que antes fazia, precisamos investigar o porquê. Essas pequenas mudanças no dia a dia, que afetam a funcionalidade e a autonomia, são indicativos importantes de que uma avaliação geriátrica se faz necessária para detectar Alzheimer ou outras condições. 

3. Perda de Memória Recente

Antes de falarmos do terceiro sinal, que é muito característico do Alzheimer, vamos esclarecer uma dúvida comum: qual a diferença entre demência e Alzheimer

Demência é um termo que abrange um grande grupo de condições que se caracterizam por uma alteração cognitiva (na memória, orientação, linguagem, capacidade visuoespacial, etc.) que traz prejuízo à vida da pessoa, ou seja, ela deixa de fazer coisas que antes fazia por conta dessa alteração. Existem diversos subtipos de demência, como o próprio Alzheimer, a demência vascular, demência com corpos de Lewy, demência da doença de Parkinson, entre outras. 

E o Alzheimer? O Alzheimer é, na verdade, o tipo mais comum de demência. Ou seja, o Alzheimer é um tipo de demência, mas nem toda demência é Alzheimer. É como dizer que todo fusca é carro, mas nem todo carro é fusca. Compreendido? 

Um dos sinais de Alzheimer mais marcantes é o esquecimento de fatos mais recentes. É aquele paciente que se lembra com riqueza de detalhes de eventos que aconteceram há 40, 60 anos – o casamento, a infância – mas esquece o que comeu no café da manhã, se já tomou o remédio (e muitas vezes toma repetido), ou que alguém acabou de ir ao mercado e comprar o que ele pediu. Esses esquecimentos de eventos recentes, que aconteceram no mesmo dia, na semana ou no mês, e que se tornam frequentes, são um forte indicativo de Alzheimer e devem ser investigados. É diferente de um esquecimento pontual, que pode acontecer com qualquer um; a frequência e o impacto na rotina são os diferenciais dos sintomas de Alzheimer.

4. Repetição Excessiva: Um dos Sintomas de Alzheimer a Observar

Outro sinal de Alzheimer que frequentemente acompanha a doença, e que merece atenção, é a repetição excessiva. Sabe aquela história que seu familiar conta várias e várias vezes, como se fosse a primeira vez? Ou aquela pergunta sobre um compromisso que já foi respondida inúmeras vezes? Essa persistência em repetir informações, histórias ou perguntas, esquecendo que já as fez ou ouviu, é um indicativo importante dos sintomas de Alzheimer.

É claro que todos nós podemos, ocasionalmente, repetir algo ou esquecer que já perguntamos. Mas, quando isso se torna um padrão constante, frequente e interfere na comunicação e no dia a dia, é um sinal de que a memória recente está sendo comprometida de forma significativa.

5. Mudanças de Padrão em Relação ao Habitual: O Sinal Mais Importante para Detectar Demência

Chegamos ao sinal mais importante, e que, na verdade, resume e engloba todos os outros: mudanças de padrão em relação ao habitual. Este é o ponto crucial para identificar se as alterações que você observa em um idoso são realmente preocupantes ou fazem parte de um comportamento já estabelecido. 

Vamos a um exemplo: se uma pessoa nunca dirigiu porque tinha medo ou não quis aprender, o fato de ela não dirigir na terceira idade não é um sinal de demência. Ela está mantendo um padrão. Da mesma forma, se um homem nunca cozinhou ou uma mulher nunca gostou de ir ao mercado sozinha, e continuam assim, isso não é um alerta. A idade, por si só, não deve ser uma limitação para as atividades. É importante que a pessoa idosa continue se desafiando, mas o que nos chama a atenção é a quebra de um padrão estabelecido

Agora, imagine o cenário oposto: aquele paciente que dirigiu a vida inteira com maestria e, de repente, começa a ter pequenos acidentes, a passar no sinal vermelho, a se perder em trajetos conhecidos. Ou a senhora que sempre foi independente nas compras do supermercado e agora se perde nos corredores, não encontra os produtos ou troca as marcas que sempre usou. Essas são mudanças significativas em relação ao que era habitual para elas. É essa alteração no comportamento que deve nos fazer questionar:  por que isso está acontecendo? 

É fundamental não limitar a pessoa idosa apenas pela sua idade. Se uma limitação está surgindo, o motivo por trás dela precisa ser investigado. Nem sempre é demência; outras condições, como deficiências auditivas ou visuais não corrigidas, ou quadros de humor não tratados (como uma depressão não compensada), podem mimetizar  sintomas de demência e são, muitas vezes, reversíveis com o tratamento adequado. 

O geriatra é o profissional mais capacitado para realizar essa avaliação completa, diferenciando o que é um processo natural do envelhecimento, o que é reversível e o que pode ser um sinal de Alzheimer ou outra demência. Não hesite em procurar ajuda se você ou sua família identificarem esses primeiros sinais de demência. A investigação precoce é fundamental para um melhor manejo e qualidade de vida nos cuidados com idosos.

Ah, e vale lembrar que o Alzheimer e as outras demências podem ser prevenidos! Nesse post expliquei como. 

Até a próxima! 

Ester 

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